A Sombra do Sublime

A história do saxofone completa neste mês de novembro, cento e setenta e três anos, desde que o instrumento foi patenteado.

Adolphe Sax

O judeu belga Adolphe Sax foi o inventor deste instrumento de sopro que era descrito como “um som nunca ouvido antes”. Dois anos antes de ser patenteado, o saxofone foi tocado em uma orquestra e despertou ao mesmo tempo, aplausos e ódios pelo mundo.
Os aplausos de muitos eram devido ao som que encantava. Os ódios de outros estavam divididos na questão do inventor ser um judeu, do som ser considerado hipnotizante e sensual, e por fim, os fabricantes de outros instrumentos que viram suas receitas caírem.
A ideia de Adolphe Sax era moldar um instrumento de sopro, principalmente para uso de bandas militares, mas o caminho do mesmo alcançou impensáveis lugares.

O Chifre de Diabo

Em 2005 o músico Michael Segell escreveu o livro “The Devil’s Horn” (O Chifre do Diabo), onde narra toda a história do saxofone, que, como o título do livro, o instrumento era assim denominado, por seus violentos inimigos do criador e da criatura.
No livro, Michael Segell descreve os acontecimentos históricos, como a oficina de Adolphe Sax ter sido incendiada, seus projetos e ferramentas roubados e pelo menos duas tentativas de assassinato contra ele. Tudo para que ele parasse a construção do saxofone.

O Recomeço

Ao começar tudo novamente, Adolphe Sax ganhou um contrato para ter seus saxofones colocados em todos os grupos musicais militares franceses e os negócios se estenderam rapidamente, assim como os grupos contrários ao seu invento.
Incrível, como um instrumento musical poderia gerar tanta oposição a partir de uma lista de regimes soviéticos, onde Stalin classificou como “um instrumento de opressão capitalista”, da oposição do Japão Imperial, dos nazistas que proibiram o instrumento na Alemanha, pois não aceitavam um instrumento inventado por um judeu e até do Papa Pio X, que em 1903 declarou que o saxofone era um “escândalo” e emitiu uma proibição.
Mas, o tempo passou e o denominado “Chifre do Diabo” é hoje apenas mais um instrumento sem a procedência do jargão “capetológico”.

A Diferença

Muitas vezes a verdade fica fixa no passado, de onde observamos e somos inspirados por ela. Sempre haverá os que aplaudem e os odiosos. A diferença está no que é sublime, pois o mesmo não é nada em nós, mas faz algo por nós por causa do que ele é em si: o poder de criação.
O homem tem o poder de fabricar tudo, desde casas, pontes, edifícios, carros e até foguetes.
Criações, sejam na pintura, arquitetura, engenharia, literatura, escultura ou música, são dignos de contemplação, porque eles nos colocam em nosso lugar apropriado, que é na sombra do sublime.

A Excelência

Nós, seres humanos frágeis, precisamos de olhar para além de nós mesmos e para o mundo maravilhoso do sublime, em todas as suas dimensões. O sublime não se importa com o ódio dos outros. O sublime provoca excelência por seu sabor e escrutínio insistente.
A natureza, uma arte ou um solo de saxofone pode ser sublime se ele nos prende ao atrair nossa atenção espantadamente.

Os desagradáveis são esquecidos por causa das grandezas da vida que são sempre lembradas, em nome do que é Sublime, que verdadeiramente enriquece nosso mundo através da descoberta e da interação, com toda a forma de dom natural dado por Deus.


Wagner França

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