E o Oscar vai para… Vingadores: Guerra Infinita!

The Academy/Divulgação Oscar 2019

Pode parecer tarde este texto sobre uma possível indicação de “Vingadores: Guerra Infinita” na categoria de Melhor Filme no Oscar de 2019 – eu torcia para isso, sendo bem sincero, mas quero frisar aqui que, mesmo que não esteja no páreo para o prêmio, é uma perda por toda uma trajetória cinematográfica de “renovação” da indústria do cinema americano e, talvez, mundial.

O produtor chefe-mor, Kevin Feige, que é o responsável do MCU – Marvel Cinematic Universe – como fio condutor desta mudança, começou timidamente em 2000 com o filme “X-Men” dirigido por Bryan Singer (filme com visual influenciado pelo então recente fenômeno “Matrix” de 1999!). Ele é a quem muitos dão crédito por ter iniciado o gênero de super-heróis no cinema (eu discordo disso, pois o produtor Avi Arad, famoso pelo filme do “Homem Aranha” (2002), já tinha começado antes com outros projetos, e a Warner Bros. muito antes – anos 1970 e 1980).

Isso não tira o mérito, todavia, o MCU já arrecadou mais de $17 bilhões de bilheteria mundialmente somente nos cinemas (fonte: boxofficemojo.com), um feito incrível para “apenas” 10 anos de produção de um ecossistema de entretenimento transmidiático conduzido pelo Kevin Feige no Marvel Stud10s/Disney Studios. Só por isso, já merecia a indicação.

Veja quantos elementos estão envolvidos nesta trajetória: planejamento, gestão, casting, orçamento, orquestração das histórias para serem interdependentes, marketing (muito, aliás), hipermídia, cross-media, vários e vários aspectos de mudança que mexeram com a indústria como um todo.

Vingadores: Guerra Infinita - Disney/Marvel Studios - 2018
Vingadores: Guerra Infinita – Disney/Marvel Studios – 2018

Esse é O Filme do MCU

O ápice do MCU veio com a culminação deste filme. Para quem ainda não viu, deve ver impreterivelmente, pois é um filme estruturalmente muito bem conduzido, com uma excelente parte técnica (som, montagem e efeitos especiais) e dedicação de todas as áreas envolvidas no projeto, é nitidamente o melhor filme da Marvel tecnicamente e narrativamente, além do aspecto “projeto cinematográfico” (são 10 anos do MCU!), é um triunfo de todos os envolvidos, principalmente do produtor Kevin Feige e dos irmãos diretores Joe Russo e Anthony Russo, que, para mim, são os melhores diretores de todo universo criado.

Há um momento no filme que, para mim, é um deleite, o clímax de Guerra Infinita: é a linda sequência dirigida pelos irmãos Russos e roteirizada por Christopher Markus e Stephen McFeely, em um momento de destaque de Doctor Strange no qual estão apenas ele e Thanos.

O vilão, com o intuito de acabar com os Vingadores e metade do universo (MCU?), lança uma rajada de raio em direção a Strange, que defende com uma tela de cristais/vitrais e empurra de volta ao Titã Louco, Thanos. Ele então estraçalha esta tela e captura os estilhaços com a Manopla do Infinito, jogando-os de volta (no estilo Hadouken de Street Fighter) ao Strange, que, por fim, transforma em… borboletas, assustando o grande vilão do filme. Esta é uma das grandes sequências do filme, na qual vemos: ação, beleza, estética (como splash page de histórias em quadrinhos), harmonia e emoção carregadas. Esses elementos são apresentados todos ao mesmo tempo para mostrar apenas uma linda luta. É simplesmente incrível.

Borboletas assustam Thanos durante a luta – Disney/Marvel Studios – 2018

No Oscar, mesmo com todo lobby feito para este tipo de prêmio, “Vingadores: Guerra Infinita” tem todas as características para estar nesta categoria, vejamos historicamente.

Quem não viu “Avatar” de James Cameron neste mundo?

Qual a diferença nos aspectos técnicos, narrativos, de comprovação de trabalho entre produtores e diretores deste filme e de “Vingadores: Guerra Infinita”? Aliás, o vilão com uma missão bem clara, como a de Thanos, sendo o condutor do filme, já o torna muito maior que “Avatar”. E mesmo assim, concorreu ao Oscar de 2010 de melhor filme, já “Vingadores: Guerra Infinita” não.

Veja outros exemplos, “Mad Max: Estrada da Fúria” de George Miller no Oscar de 2016, concorreu na mesma categoria e não ganhou. Já o filme “A Origem” de Christopher Nolan de 2011 e “Distrito 9” de Neill Blomkamp no Oscar de 2010 (mesmo ano de “Avatar”), ambos também não ganharam.

Esses filmes, infelizmente nestas categorias de fantasia e ficção científica ficam à mercê dos membros, que naturalmente premiam filmes com grandes temáticas e dramas, focando sempre em alguns (e repetidos) gêneros.

Se em 2013, a Academia do Oscar reconhecera merecidamente o gênero de fantasia, premiando o diretor Peter Jackson por “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” com o Oscar de Melhor Filme, com um total de 11 prêmios, porque não reconhecer o que se pode fazer com o gênero de super-heróis?

Esse é o ponto da questão, os membros da Academia avançam a passos lentos, muitos lentos, quando o público a todo momento está à procura de bons filmes, independente do gênero. Como o próprio crítico Marcelo Hessel do site Omelete diz: a qualidade dos filmes não está atrelada a gênero, então, qualquer gênero pode construir (e constroem) filmes que poderiam eventualmente serem reconhecidos pelo Oscar, Cannes, Veneza ou mesmo Berlim. Seja qual for o festival ou evento, deveria sempre prevalecer o bom filme.

Os membros da Academia do Oscar poderiam marcar a história do cinema mundial, indicando ou mesmo premiando “Vingadores: Guerra Infinita” a esta categoria para alavancar um pouco a sua audiência. Mas quem sabe agora, com Pantera Negra?

Vamos esperar dia 24 de Fevereiro para ver!

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